sexta-feira, 4 de julho de 2014

Malandros: Os mensageiros de Zé Pelintra

Quem são os malandros?!





A linha dos malandros que trabalham na Umbanda traz para dentro dos terreiros os considerados "excluídos" da sociedade. São espíritos que por conta do preconceito racial, foram, em alguma encarnação, marginalizados pela sociedade, mas que lidaram com essa adversidade sem perder sua fé, sua identidade e seu bom humor. Após desencarnarem, continuaram suas caminhadas em busca da evolução espiritual até alcançarem o grau evolutivo que lhes permitiu voltar ao plano físico para trabalharem como guias espirituais.

Mas afinal, o que um "malandro" teria para ensinar as pessoas? Qual seria sua contribuição dentro de uma religião tão doutrinada como a Umbanda? Primeiramente, devemos lembrar que nos referimos a estas entidades como malandros, sem o sentido vulgar da palavra! Estes espíritos que se apresentam dentro da linha que corresponde a este grau vem para nos ensinar a flexibilidade , a capacidade de adaptação diante dos obstáculos, o "jogo de cintura" e o bom humor que se obtêm através do sentimento de fé na vida e em si mesmo. De alguma forma, eles vivenciaram estas situações em algum momento de sua existência e assim podem nos auxiliar em nossas vidas. 

A Malandragem nos ensinam que a vida é feita de experiências e toda experiência visa a nos ensinar algo de positivo, que não há obstáculos insuperáveis e que é preciso confiar nas Leis da Vida e manter a alegria e o bom humor para estar em sintonia com faixas vibratórias positivas e atrair a cura espiritual, emocional, mental e física.

Sua linguagem é altamente simbólica. Muitas vezes eles falam conosco e comparam a vida a um jogo de cartas ou dados. Nesse "jogo", a linguagem se define da seguinte forma:

  • JOGADA RUIM - Seria um imprevisto, uma adversidade. O que não significa a perda da "partida" (motivo para desespero, descrença ou desistência), pois a próxima "jogada" (nova oportunidade, novo passo) poderá ser melhor, só depende de nós da nossa fé.
  • ADVERSÁRIO - Seriam desafios externos, bem como os próprios pensamentos, convicções, emoções ou sentimentos negativos. É preciso estar atento para ter melhores condições de enfrentá-lo e alcançar a "vitória".
  • VENCER O JOGO - Seria a superação do obstáculo em si. Mas nesse quesito, a "grande vitória" seria o entendimento do "jogador" sobre as causas das dificuldades na vida e a aceitação da nossa responsabilidade por essa realidade que, de algum modo, criamos. O erro ensina e nos dá a oportunidade de recomeçar e aceitar.
  • DERROTA - Não significa que é o final de tudo. Sempre se pode tentar de novo, sem nunca desistir.
  • VIRAR O JOGO - Através da persistência, da alegria e da fé no amanhã, podemos reverter o que não deu certo e alcançar a "vitória".

Quando se fala em "malandro", na linguagem cotidiana, a primeira idéia que nos ocorre é a do homem boêmio, do jogador inveterado de cartas ou de dados, do amante da noite, da música e das rodas de dança, que vivia de expedientes, carregava navalhas ou facas e fugia da polícia.

Os Malandros vêm até nós através das Mãos do Criador, para nos ensinar "a boa malandragem". Nos ensina a fazer limonada de limões azedos que recebemos dos outros, escorregar e levantar rapidinho, sem perder a compostura e a elegância e já sair dançando e cantando, ensinam a jogar "o jogo da vida" e ser um bom parceiro de jogatina, ensinam a rir das tristezas e de si mesmo quando as coisas não vão bem, assumir o que se é, sem hipocrisia e fazer todo o Bem que se possa, não se prender a padrões e valores externos, mas ficar centrado em si mesmo e na sua Fé, sem nunca desacreditar da Vida Maior, cujo amparo permeia todos os caminhos diários.

Os Malandros são simples, amigos, leais e verdadeiros. Mas se alguém pensa que pode enganá-los, então é desmascarado sem a menor cerimônia e na frente de todos, porque os Malandros não toleram a maldade, a injustiça ou a tentativa de se enganar aos mais fracos.

Manipulam magisticamente fumos, como charutos e cigarrilhas, suas bebidas vão desde aguardente, batidas diversas, como as de côco, conhaque e até uísque.

São cordiais e alegres. Parecem dançar a maior parte do tempo, mas com seus movimentos estão é recolhendo negatividade e purificando as pessoas e o ambiente. Como regra geral, os Malandros não são Exus. São Entidades que integram Linhas de Trabalho distintas. Mas alguns Malandros se manifestam nas sessões da Esquerda, junto a Exus e Pombogiras. Dentro da Linha existem também as manifestações  femininas, das quais Maria Navalha e Maria do Cais são as entidades mais conhecidas da Malandragem.

A figura mais conhecida dentro desta Linha, sem sombra de dúvidas, é seu Zé Pelintra. Seu Zé, como é conhecido popularmente, é uma Entidade peculiar, pois tanto se manifesta na Direita quanto na Esquerda. Na Direita, ele vem como Malandro mesmo, ou como Baiano ou ainda como Preto Velho quimbandeiro (isto é, voltado para o corte de demandas e magia negra). Já na Esquerda, ele vem como Exu. Por que será? Uma das características dos Malandros é a flexibilidade, por isso ele é um guia que, não importa se é na Direta ou na Esquerda, ele está a serviço da Luz.

A Linha dos Malandros, como nas demais linhas, estão agrupados espíritos que tiveram encarnações diferentes entre si. O ponto central é sabermos que esses espíritos não estão presos a seus antigos nomes e sim, que foram agrupados a partir de suas afinidades vibratórias e evolutivas e de suas especialidades.

Seguem alguns nomes mais conhecidos das Entidades que trabalham nesta Linha:

  • Zé Pelintra
  • Zé Pretinho
  • Zé do Côco
  • Zé da Luz
  • Zé da Légua
  • Zé Moreno
  • Zé Pereira
  • Zé Malandro
  • Malandrinho
  • Camisa Preta
  • Camisa Listrada
  • Sete Navalhas
  • Malandro do Morro
    Entre outros...

Como citado acima, entre as Entidades femininas, estão Maria do Cais e Maria Navalha. Malandras  que também podem se manifestar na Esquerda e se apresentarem como pombogiras.

Os Malandros não possuem um dia específico, tendo em vista que a Linha tem um campo vasto de atuação, se manifestando tanto na Direita como na Esquerda. Os Malandros que trabalham na cura costumam ser mais associados aos Sábados, dia relacionado ao orixá Obaluaê. Já os que trabalham no corte de demanda tem uma associação mais direta com a Terça-Feira e Quarta-Feira, dias relacionados aos orixás Ogum e Iansã. 

Seu campo de atuação baseia-se na limpeza energética, purificação e equilíbrio. Eles quebram os preconceitos, o corte de magias negras e trabalham para abertura de caminhos. Seu ponto de força é na subida dos morros, nas esquinas e encruzilhadas. Trabalham também nos pés dos coqueiros e até na porta de cemitérios, dependendo do seu campo de atuação e energização.

A cor dos Malandros varia, podendo ser branco e vermelho, branco e preto ou vermelho e preto. Suas guias também são variados, podendo ser de coquinhos, porcelana bicolores (branca/vermelha, pretas/brancas ou vermelhas/pretas). Podem utilizar ainda sementes, pedras e até palha da costa com búzios.

Seus instrumentos de trabalho são baralhos, moedas, dados, palitos, palha da costa, pedras, pembas, sumos de ervas, barbantes, linhas, fitas, búzios, sementes, côco, água de côco, terra, dendê e azeite de oliva. 

Sua saudação baseia-se na alegria que transmitem, na firmeza e na força que carregam para dentro dos terreiros nos quais trabalham. E assim, trazem toda a energia que precisamos para alcançar melhores resultados no "Jogo da Vida".

Salve a Malandragem! Salve todas as Entidades que trabalham nesta Linha!

Salve a falange de seu Zé Pelintra!!!!

Muito axé, queridos irmãos!





quinta-feira, 22 de maio de 2014

Caboclos: Os Guerreiros das Matas


Quem são os Caboclos?!

 

 



Tudo começou pela palavra de um Caboclo. Foi através do Caboclo das Sete Encruzilhadas, por intermédio do médium Zélio Fernandino de Moraes, que nasceu a nossa Umbanda no dia 15 de Novembro de 1908. De lá pra cá são 106 anos da nossa querida religião.

Os Caboclos são entidades atuantes na linha da direita. São guias que trabalham na irradiação de Oxóssi, porém também seguem a irradiação de outros Orixás, de acordo com a sua linha de trabalho. São espíritos de uma certa hierarquia e que vibram na mesma energia das leis da Umbanda. Um Caboclo não precisa, necessariamente, ter sido um índio em sua última encarnação mas muitos dos que trabalham dentro da Umbanda já foram de origem indígena em alguma vida. Muitos já foram Incas, Astecas, Maias, entre outros. Todos já viveram em terras recém descobertas, formaram aldeias, tribos, e carregam em sua essência o conhecimento, o dom do cultivo e da fabricação, já que eram eles que criavam tudo que sua tribo necessitava.

Assim como os Pretos Velhos, os Caboclos são guias de grande elevação espiritual. Seu trabalho dentro de um terreiro é amplo, indo desde consultas, passes e correntes de energização a descarregos e trabalhos de manipulação, seja ela física ou com ervas, banhos, etc. São peritos no conhecimento medicinal através das ervas e da anatomia humana, muitos se denominam curandeiros, rezadeiros e parteiras. Na mesma proporção, existem Caboclos que são exímios caçadores e também conhecedores de agricultura.

Durante as giras, quando incorporados em seus médiuns, assumem uma postura rústica, lembrando e muito sua forma primitiva. Alguns médiuns se transfiguram, lembrando ainda mais uma figura indígena. Seus acessórios são, muitas vezes, cocares, penachos, cordões, arcos, flechas e lanças de madeira. Não dispensam um bom charuto, batem seus punhos "em flecha" no peito, no intuito de ativar o chakra cardíaco do médium, equilibrando suas emoções e utilizam muitas vezes o estalar de dedos como forma de energização do terreiro e do consulente. Seus brados são inconfundíveis, quem nunca se arrepiou ao ouvir um Caboclo gritar? O "ilá" de um Caboclo faz parte da linguagem comum entre eles, dificilmente um médium resiste escutar um brado sem, pelo menos, estremecer. Tanto em suas chegadas como em suas despedidas, o brado é utilizado, é uma marca registrada dos Caboclos.

Como dito no início, todos os Caboclos trabalham na irradiação de Oxóssi, por ser o Orixá das Matas, porém cada Caboclo que não pertence a irradiação pura de Oxóssi, trabalha para um determinado Orixá, utilizando de sua irradiação para atuar dentro e fora dos terreiros. Abaixo segue os exemplos de alguns Caboclos e seu respectivo Orixá.

Caboclos de Oxalá

Os Caboclos que seguem a linha de Oxalá quase não trabalham dando consultas. Geralmente dão passe de energização. São "compactados" para incorporar e se mantém localizados em um ponto do terreiro sem deslocar-se muito. Sua principal função é dirigir e instruir os demais Caboclos.

Exemplo: Caboclo Urubatão da Guia, Caboclo Tupã, Caboclo Estrela Guia, Caboclo Seta Branca de Aruanda, Caboclo Luz da Manhã, Caboclo Sol Nascente, Caboclo Luz Dourada, Caboclo da Chama Trina, Caboclo do Sagrado Coração, Caboclo da Cruz Sagrada, Caboclo do Sol e da Lua, Caboclo Pembra Branca, Caboclo Luz Branca, entre outros...

Caboclos de Ogum

Os Caboclos de Ogum gostam de andar de um lado para outro e falam de maneira forte, vibrante e suas atitudes demonstram vivacidade. As consultas são diretas, geralmente gostam de trabalhos de ajuda profissional e seus passes são, na maioria das vezes, para doar força física e ânimo.

Exemplo: Caboclo Sete Espadas, Caboclo Sete Matas, Caboclo Sete Ondas, Caboclo Sete Lanças, Caboclo Akuan, Caboclo Águia Branca, Caboclo Águia Dourada, Caboclo Águia Solitária, Caboclo Pena Vermelha, Caboclo da Mata, Caboclo Rompe-Nuvem, Caboclo Rompe-Ferro, Caboclo Rompe-Aço, Caboclo Rompe-Mato, Caboclo Tabajara, Caboclo Icaraí, Caboclo Tamoio, Caboclo Ubirajara, entre outros...

Caboclos de Oxóssi

Estes são os que mais se locomovem dentro do terreiro. São rápidos e dançam bastante. Trabalham com banhos e defumadores, não possuem trabalhos definidos, podendo trabalhar para diversas finalidades. São os caboclos que geralmente são chefes de linhas.

Exemplo: Caboclo das Sete Encruzilhadas, Caboclo Sete Serras, Caboclo Arruda, Caboclo Aimoré, Caboclo Arapuí, Caboclo Boiadeiro, Caboclo da Lua, Caboclo Caçador, Caboclo Flecheiro, Caboclo Folha Verde, Caboclo Guarani, Caboclo Japiassú, Caboclo Javarí, Caboclo Paraguassu, Caboclo Mata Virgem, Caboclo Pena Azul, Caboclo Rompe-Folha, Caboclo Sete Flechas, Caboclo Serra Azul, Caboclo Tupinambá, Caboclo Tupaíba, Caboclo Tupiara, Caboclo Ubá, Caboclo Junco Verde, Caboclo Tapuia, entre outros...


Caboclos de Xangô

Caboclos que trabalham na linha de Xangô são guias de incorporação rápida e geralmente eles arriam seus médiuns no chão. Normalmente trabalham focados em questões de empregos, causas na justiça, imóveis e realizações no campo profissional. São diretos para falar e seus passes são voltados para dispersão de energias negativas.

Exemplo: Caboclo Araúna, Caboclo Giramundo, Caboclo do Sol, Caboclo Cajá, Caboclo Caramuru, Caboclo Cobra Coral, Caboclo Girassol, Caboclo Goitacaz, Caboclo Guará, Caboclo Guaraná, Caboclo Janguar, Caboclo Juparã, Caboclo Mirim, Caboclo Sete Cachoeiras, Caboclo Sete Caminhos, Caboclo Sete Estrelas, Caboclo Sete Luas, Caboclo Sete Montanhas, Caboclo Tupi, Caboclo Treme-Terra, Caboclo Sultão das Matas, Caboclo Cachoeirinha, Caboclo Ubiratan, entre outros...

Caboclos de Obaluaê / Omulú

Os Caboclos de Obaluaê são, em alguns casos, espíritos dos antigos "pajés" das tribos indígenas. Raramente trabalham incorporados, e quando fazem isso, escolhem médiuns que tenham Obaluaê como primeiro Orixá. Sua incorporação parece a de um Preto Velho e em algumas casas, locomovem-se apoiados em cajados. Movimentam-se pouco e fazem trabalhos de magias para varios fins.

Exemplo: Caboclo Roxo, Caboclo Arranca-Toco, Caboclo Acuré, Caboclo Aimbiré, Caboclo Bugre, Caboclo Guiné, Caboclo Yucatan, Caboclo Jupurí, Caboclo Uiratan, Caboclo Alho d'Água, Caboclo Pedra Branca, Caboclo Pedra Preta, Caboclo Laçador, Caboclo Grajaúna, Caboclo Bacuí, Caboclo Piraí, Caboclo Surí, Caboclo Serra Verde, Caboclo Serra Negra, Caboclo Tira-Teima, Caboclo Folha Seca, Caboclo Sete Águias, Caboclo Tibiriçá, Caboclo Viramundo, entre outros...

Caboclas de Oxum

As Caboclas de Oxum geralmente são suaves, sua incorporação acontece principalmente através do chakra cardíaco. Trabalham mais na ajuda de doenças psíquicas como depressão, desânimo, entre outras. Seus passes são voltados tanto para dispersão quanto para energização. Suas consultas tendem a ser reflexivas, são conselheiras e seus passes quase sempre são para alívio emocional.

Exemplo: Cabocla Iracema, Cabocla Yara, Cabocla Imaiá, Cabocla Jaceguaia, Cabocla Juruema, Cabocla Juruena, Cabocla Araguaia, Cabocla Estrela da Manhã, Cabocla Tunue, Cabocla Mirini, entre outras...

Caboclas de Iansã

São rápidas e deslocam muito o médium. São diretas para falar e por diversas vezes pegam os consulentes de surpresa. Devido a ligação de Iansã com Xangô, essas Caboclas atuam nos campos profissionais e de prosperidade. Sua maior função é o passe de dispersão de energias negativas, mas também podem trabalhar para diversas finalidades, dependendo da necessidade.

Exemplo: Cabocla Jurema, Cabocla Bartira, Cabocla Jussara, Cabocla Japotira, Cabocla Maíra, Cabocla Ivotice, Cabocla Valquíria, Cabocla Raio de Luz, Cabocla Palina, Cabocla Poti, Cabocla Talina, Cabocla Potira, entre outras.

Caboclas de Iemanjá

São Caboclas suaves, porém mais rápidas do que as de Oxum. Rodam muito quando chegam, a ponto de deixar os médiuns tontos. Trabalham especificamente para desmanche de trabalhos, limpeza espiritual e todo o negativo é conduzido por elas para as águas do mar.

Exemplo: Cabocla da Praia, Cabocla Estrela d'Alva, Cabocla Janaína, Cabocla Diloé, Cabocla Guaraciaba, Cabocla Jandira, Cabocla Jaci, Cabocla Jaciara, Cabocla Sete Ondas, Cabocla Sol Nascente, entre outras...



Qual é o seu habitat: Nas matas grandes, virgens e fechadas.

Seu dia na semana: Quinta-Feira (dia de Oxóssi) ou no dia da irradiação a qual ele pertence.

Saudação: Okê Caboclo!

Comidas: Grãos cozidos e frutos.

Bebidas: Água, Água com Mel, Vinho, Vinho com Mel e Caldo de Cana.


Caboclos... Servos dos Orixás,  defensores da Lei e da Ordem espiritual dentro e fora dos Terreiros. São guias, amigos, guardas, médicos, mensageiros, conselheiros... São instrumentos da Luz Divina, são os protetores de Aruanda.

Estes são os caboclos...

Muito axé, queridos irmãos!





quarta-feira, 21 de maio de 2014

Quando um terreiro de Umbanda acaba?!


Quando um terreiro de Umbanda acaba?!

 



"Um terreiro de Umbanda acaba quando a vaidade é maior que a caridade.

Um terreiro de Umbanda acaba quando a fofoca e a intriga são maiores que o estudo e a disciplina.

Um terreiro de Umbanda acaba quando a maledicência fala mais alto que a beneficência.

Um terreiro de Umbanda acaba quando a higiene física, astral e mental são rigorosamente observadas.

Um terreiro de Umbanda acaba quando falsos médiuns são admitidos pelo dirigente na corrente apenas com o intuito de aumentar a arrecadação financeira da casa.

Um terreiro de Umbanda acaba quando as "festas" e "homenagens" são mais importantes e concorridas que as giras de atendimento e reuniões de estudo.

Um terreiro de Umbanda acaba quando as guias (colares) são mais importantes que os Guias (mentores).

Um terreiro de Umbanda acaba quando os "pontos" são cantados sem emoção e quando os "pontos" são riscados sem nenhuma noção.

Um terreiro de Umbanda acaba não porque os Guias se afastam dos médiuns, mas porque os médiuns é que se afastam dos Guias.

Um terreiro de Umbanda acaba quando se cobra o que não deve ser cobrado.

Um terreiro de Umbanda acaba quando não se cobra o que deve ser cobrado.

Um terreiro de Umbanda acaba quando a "mágica" substitui a verdade magia.

Um terreiro de Umbanda acaba quando o "visível" se torna mais importante que o "invisível".

Um terreiro de Umbanda acaba quando há falta de ética, de bom-senso e de respeito.

Enfim... Um terreiro de Umbanda acaba quando acaba a fé, o amor e a verdade.

Sr. Exu Marabô



Pombogira: A Exu-Mulher


Quem são as Pombogiras?!

 

 



"Pombagira é... Mulher de Sete Maridos... Não mexa com ela, ela é um perigo!"

Conhecida como "Pombagira", a pronúncia correta é "Pombogira" e em alguns terreiros, "Bombogira".
Esta é outra entidade de muita luz atuante na linha da Esquerda e igualmente injustiçada pela herança deixada na história de nosso país, assim como os Exus. Constantemente comparada ao "Diabo", as pombogiras convivem com preconceito mas também com fascínio de muitos.

As lebarás (como também são conhecidas) são entidades mensageiras dos Orixás. Conhecedoras do Mistério Astral, são doces e sedutoras porém sérias e firmes. São verdadeiras damas, ora discretas, ora espalhafatosas. Todas dentro de seu incontestável charme que traz uma verdadeira aura de alegria e sensualidade. Sua irradiação é tão intensa que faz até as pessoas mais céticas se encantarem ao som de suas gargalhadas e nas danças sempre esbanjando muita delicadeza e beleza.

A sua função dentro de um terreiro umbandista é praticamente a mesma do Exu. Elas são encarregadas de assegurar a aproximação dos Orixás no locais onde os mesmos estão sendo cultuados e também cuidam da porteira dos terreiros e da segurança de seus médiuns, realizando a triagem dos espíritos sem luz que ainda não estão prontos para o "socorro".

Errado é aquele que acha que pombogiras não é astuta. Assim que alcançou o grau análogo dos Exus, ela recebeu a alcunha de "Exu-Mulher" ou "Mulher de Exu". Marota como só ela, logo deixou claro e disse: "Sou mulher de Sete Exus... Um para cada dia da semana!" e assim, garantiu sua condição de superioridade e independência, dignas de uma Pombogira.

Pombogira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal, exibicionista, provocante, insinuante, sensual, desbocada e autêntica. Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, a famosa "rameira oferecida", apesar de nada ter o que comparar.

Educadas e sempre ótimas conselheiras, à todos elas ouve e a ninguém é negado seus conselhos. Sua ajuda se concentra em um campo que domina como ninguém mais é capaz: o Amor. Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante delas, se abrem e confessam suas necessidades.

Pelo fato de serem entidades femininas, elas podem se manifestar tanto em médiuns do sexo masculino como do feminino. Apesar de haver um grande pensamento de que apenas médiuns mulheres podem ser "cavalo" de uma pombogira e que os médiuns homens que vibram na irradiação de uma lebará são homossexuais ou podem se tornar, isso tudo é um verdadeiro equívoco. Existe um grande universo que ronda este assunto dentro das religiões espíritas, seja na Umbanda ou no Candomblé, porém nada justifica.

Quando há a incorporação de um espírito, o que move o mesmo é a evolução moral do médium e a sua necessidade de servir em nome do bem, da caridade. A condição sexual de cada um não importa para aquela entidade, mas sim a vontade de prestar a caridade! A homossexualidade é uma questão humana e não espiritual. Nenhum homem se torna homossexual por servir de instrumento para uma pombogira, da mesma forma que nenhuma mulher se torna homossexual ao incorporar um Exu.


Elas são entidades de luz e que auxiliam os filhos de fé dentro dos terreiros e fora deles também. São damas injustiçadas pela herança popular, vítimas do preconceito mas que nunca descem do salto, nos ensinando assim a superar todos os obstáculos da vida. São verdadeiras guerreiras espirituais que, com doçura, nos ensina as lições da vida e, com firmeza, quebra as demandas oriundas das trevas.

Essas são as pombogiras.


As pombogiras se identificam por diversos nomes e trabalham em todas as Sete Linhas. Muitas levam nomes semelhantes, mas nenhuma é igual a outra. Cada uma com seu encanto, cada uma com a sua firmeza. Segue abaixo alguns nomes de nossas queridas moças.

  • Maria Padilha
  • Maria Mulambo
  • Maria Quitéria
  • Maria Bonita
  • Maria das Flores
  • Rosa Caveira
  • Rosa Vermelha
  • Rosa Negra
  • Pombogira da Figueira
  • Pombogira Rainha
  • Pombogira Sete Saias
  • Pombogira da Lira
  • Pombogira Dama da Noite
  • Pombogira Menina
  • Entre outras...

"Ela é mulher, ela é protetora. Ela é a vida onde se acha estar morto...
Ela é resgatadora, ela é guardiã. Ela é esgotadora das energias descontroladas...
Ela é a luz nas trevas, ela é guerreira de Deus."


Muito axé, queridos irmãos!


terça-feira, 20 de maio de 2014

Exu: O Guardião dos Caminhos



Quem são os Exus?!




Muito se fala, mas pouco se entende destas incríveis entidades da Umbanda.

Apesar das referências ao diabo, devido a herança do sincretismo religioso, é errado associar os Exus a prática do mal. Na Umbanda, o Exu é uma entidade mensageira dos Orixás. Eles cuidam da segurança da Casa e de seus médiuns. Todas religiões possuem entidades que cumprem este papel de guardiões. Um exemplo disso foi a comunicação recebida por Chico Xavier, onde é dito sobre a existência de espíritos trabalhando nestas funções no Plano Astral.

A Gira de Exu, como são chamadas as reuniões onde estas entidades incorporam para trabalhar, tem como finalidade descarregar os médiuns e os consulentes. Utilizando suas energias, são capazes de orientar com facilidade almas que ainda não encontraram seu caminho de luz. Espíritos desencarnados que ainda não aceitaram sua passagem para o mundo espiritual e que, presos aos vícios do mundo carnal, continuam buscando saciar seus desejos, seja prejudicando, desequilibrando ou sugando as energias dos encarnados. Em alguns casos, o desequilíbrio é tanto que algumas pessoas são diagnosticadas como loucas.

Para este tipo de trabalhos, os Exus necessitam muito do nosso equilíbrio e de nossa energia. Quando estes espíritos sem luz se manifestam em um terreiro, seja em um médium ou em um consulente, os Exus utilizam do nosso equilíbrio para que tenhamos bons pensamentos, harmonia e amor verdadeiro para com o próximo, uma vez que estes espíritos podem se manifestar com ódio, rancor, raiva, entre outros sentimentos ruins. Desta forma, é possível "desarmar" estes espíritos para que não tentem tomar a frente da situação e, quem sabe, persuadi-los a seguir o caminho da luz, libertando-os do encarnado ao qual está ligado. Estes espíritos, na maioria dos casos, estão desorientados, com dores, tristes, sofrendo pelo desencarne, humilhadas. Diante disso, os Exus auxiliam estes espíritos.

Quando um consulente chega a um terreiro de Umbanda, se está acompanhado de um espírito sem luz, este espírito não consegue se aproximar da casa pois os Exus firmados na Tronqueira são responsáveis pela segurança e encarregados de fazer uma triagem, permitindo apenas que espíritos que eles percebem que já estão prontos para receber o auxílio entrem na casa.

Os Exus são entidades que riem, sarristas e simpáticos, porém não brincam em serviço. Deve se ter muito respeito para com essas entidades, pois eles são os que guardam os terreiros e também nossos caminhos. São os principais responsáveis pela limpeza das energias pesadas e negativas. Toda pessoa que busca auxílio em um terreiro de Umbanda, traz consigo um saco de lixo abarrotado (com seus pensamentos ruins, suas raivas, angústias, desilusões, etc) e são os Exus que ficam encarregados de juntar todo esse lixo espiritual e descarregar, melhorando nossa autoestima e dando-nos mais força para seguir nosso caminho.

Exu é mal?!

Há quem diga que os Exus são demônios, e até alguns pontos cantados fazem alusão a isso, porém está errado aquele que afirma isso. Exu é neutro, quem faz o mal são os médiuns que utilizam os Exus para fazerem trabalhos prejudiciais a outras pessoas. Na verdade, o bem e o mal é produto da vontade e da evolução do próprio homem e Exu está acima do bem e do mal, sentimentos esses pertencentes a evolução humana.

No tempo da escravidão, os brancos conheciam as danças dos negros africanos como forma de saudarem seus santos e durante estes rituais, os negros incorporavam alguns Exus. Com seu brado e com o jeito maroto e extrovertido, os brancos se assustavam e se afastavam ou até mesmo agrediam os negros, alegando estarem endemoniados. Com o passar do tempo, os brancos tomaram conhecimento dos sacrifícios que eram oferecidos a Exu e isso reacendeu a chama do preconceito, aumentando ainda mais a alcunha de demônio. As cores de Exu também serviu para aumentar o medo e o fascínio que rondava as pessoas mais sensíveis.

Então, quem é Exu?!

Exu, termo originário do idioma Yorubá, da Nigéria, representa o vigor, a energia que gira em espiral.
Ele é o guardião dos caminhos, é soldado dos Pretos Velhos e dos Caboclos, é o emissário entre os homens e os Orixás. É lutador contra o mau, sempre de frente, sem medo e sem mandar recado.

São verdadeiros cobradores do carma e responsáveis pelos espíritos humanos caídos. São o braço armado e a espada divina do Criador nas Trevas. Eles combatem o mal e são responsáveis pela estabilidade astral na escuridão. Em seus trabalhos, Exu corta demandas, desfaz trabalhos, feitiços e magia negra. Ajuda nos descarregos e desobsessões, retirando espíritos trevosos e os encaminhando para a luz ou para que possam cumprir suas penas em outros lugares do Astral Inferior.

Seu dia é Segunda-Feira, seu patrono é Santo Antonio, cuja data comemorativa é a mesma de sua comemoração. Sua roupa, quando lhe é permitido usar, tem as cores preta e vermelha, podendo variar de acordo com a irradiação a qual correspondem. Usam cartolas ou outros chapéus, capas, véus e até mesmo bengala e punhais em alguns casos.

Algumas palavras sobre estas entidades fascinantes...

- Tem palavra e a honra.
- Busca sempre a evolução.
- Por sua função cármica, sofrem com constantes choques energéticos a que estão expostos.
- Afastam-se daqueles que atrasam sua evolução.
- São justos e dificilmente mostram "emotividade".
- São caridosos e estão sempre nos lugares mais perigosos para a Alma Humana.

As vezes temido, as vezes amado, mas sempre alegre, honesto e combatente da maldade no mundo...

Esse é Exu...

Muito axé, queridos irmãos!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Obaluaê / Omulu: O Senhor da Cura e da Terra



Quem é Obaluaê / Omulu?!






Obaluaê é uma flexão dos termos: Oba (rei) + Oluwô (senhor) + Ayiê (terra) ou seja "Rei, Senhor da Terra". Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) + Oluwô (senhor) ou seja "Filho e Senhor". 

Obaluaê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. 
Porém, ambos têm a mesma regência e influência. No cotidiano significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados a mesma força da natureza.

Obaluaê (ou Omulu) é o Sol, a quentura e o calor do astro rei. É o Senhor das pestes, das moléstias contagiosas ou não. É o Rei da Terra, do interior da Terra e é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha da costa), porque para os humanos é proibido ver seu rosto, pela deformação feita pela doença e pelo respeito que devemos a este poderosíssimo Orixá.

Reza a lenda que é filho de Nanã, que o abandonou por ser doente. Iemanjá foi sua mãe de criação, que o alimentava com pipocas sem sal, acrescida de mel para melhorar o gosto e passava azeite de dendê em suas feridas para aliviar a dor e a coceira.

Obaluaê está no organismo, no funcionamento do organismo. Na dor que sentimos pelo mal funcionamento dos órgãos ou por uma queda, corte ou queimadura. Obaluaê rege a saúde, os órgãos e o funcionamento destes. A ele devemos nossa saúde e é comum, nas Casas de Santo, se realizar os Eboris de Saúde, que fazem para trazer saúde para o corpo doente.

O órgão central da regência de Obaluaê é a bexiga mas está ligado a todos os outros. Ele trata do interior, fundamentalmente, mas cuida também da pele e de suas moléstias. 

Divide com Iansã a regência dos cemitérios, pois ele é o Orixá que vem como emissário de Oxalá (princípio ativo da morte), para buscar o espírito desencarnado. É Obaluaê (ou Omulu) que vai mostrar o caminho, servir de guia para aquela alma. Obaluaê tem é o Senhor da Terra e das camadas de seu interior, para onde vamos todos nós. Dai a ligação que tem com os mortos, pois ele é quem vai cuidar do corpo sem vida e guiar o espírito que deixou aquele corpo. É por isso que Obalauê e Omulu gostam de coisas passadas, apodrecidas.

O sol também tem a sua regência. Ele também é o Calor provocado pelo sol quente. Há quem diga que não se deve sair à rua quando o Sol está quente sem a proteção de um patuá, a fim de não correr riscos e não sofrer a ira de Obaluaê, geralmente fatal. Obaluaê está presente em nosso dia-a-dia, quando sentimos dores, agonia, aflição, ansiedade. Está presente quando sentimos coceira e comichões na pele. Rege também o suor, a transpiração e seus efeitos. Rege aqueles que tem problemas mentais perturbações nervosas e todos os doentes.

Está presente nos hospitais, casa de saúde, ambulatórios, postos de saúde, clínicas, sempre próximo dos leitos. Rege os mutilados, aleijados, enfermos. Ele proporciona a doença mas, principalmente, a cura, a saúde. É o Orixá da misericórdia.

Obaluaê é a força da Natureza que rege o incômodo de um modo geral. Rege o mal estar, o enjôo, o mal humor, a intranquilidade. É o Orixá do abafamento e está presente nele, bem como na má digestão e na congestão estomacal. Gera o ácido úrico e seus efeitos.

Obaluaê está presente em todas as enfermidades e sua invocação, nessas horas, pode significar a cura, a recuperação da saúde.

Omulu ou Obaluaê... Qual é a diferença?!


Em termos mais estritos, Obaluaê é a forma jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omulu é a forma mais velha. Como porém, Xapanã é um nome proibido para se falar fora dos terreiros tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente. A forma Omulu é a que mais se popularizou e acabou sendo confundida não apenas com a forma mais velha do Orixá, mas com sua essência genérica em si. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas básicas de Oxalá, já que Oxalá no Candomblé é dividido em três  tipos: Oxalá (Jesus Cristo), Oxagyan (Oxalá jovem) e Oxalufã (Oxalá velho), estes dois outros tipos de Oxalá raramente são cultuados na Umbanda. A figura de Omulu/Obaluaê, assim como em seus mitos, é completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que criou. Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da divindade se referia ao deus da varíola. Tal visão porém nos parece uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença sob seu controle, simplesmente por ser a epidemia mais devastadora e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omulu/Obaluaê, o Daomé

Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seu irmão) e Nanã (sua mãe), Omulu/Obaluaê é uma criatura da cultura "Jejê", posteriormente associada a cultura Yorubá. Enquanto os Orixás yorubanos são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com o seres humanos, a figuras daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que distanciamento entre deuses e seres humanos é bem maior. Quando há uma aproxima, há de se temer, pois alguma tragédia está para acontecer. Os Orixás de Daomé são austeros no comportamento mitológico, graves e consequentes em suas ameaças. A visão de Omulu/Obaluaê é a do castigo. Se um ser humano falta com ele ou um filho de santo seu é ameaçado, o Orixá castiga com violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar, mais provável nos Orixás de Yorubá.


Como são os filhos de Obaluaê / Omulu?!


Os filhos de Omulu são pessoas extremamente pessimistas e teimosas, que adoram exibir seus sofrimentos, daqueles que procuram o caminho mais longo e difícil de alguém atingir. Deprimidos e depressivos, são capazes de desanimar o mais otimista dos seres. Acham que nada pode dar certo e que nada está bom. Às vezes são doces mas geralmente possuem manias de velho, como a rabugice. 

Gostam da ordem, gostam que as coisas saiam da maneira que planejaram. Não são do tipo que levam desaforo pra casa e se sentirem ofendidos, respondem no ato, não importa a quem seja. Pensam que só eles sofrem, que ninguém os compreende e não possuem grandes ambições.

Podem apresentar doenças de pele, marcas no rosto, doces e outros problemas nas pernas. São pessoas sem muito brilho, sem muita beleza. São perversos e adoram irritar as pessoas. São lentos e exigentes.


Dia da Semana: Segunda-Feira

Saudação: Atotô!

Sincretismo: São Lázaro (Omulu) e São Roque (Obaluaê)

Data Comemorativa: 16 de Agosto (Obaluaê) e 02 de Novembro (Omulu)

Cores: Branco e Preto

Habitat: Cruzeiro do Cemitério

Bebida: Vinho tinto e Sumo de suas próprias ervas.


Muito axé, queridos irmãos!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Iansã: A Senhora dos Ventos



Quem é Iansã?!






Iansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oyá. É um dos Orixás do Candomblé que penetrou na Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona, na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé.

Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara, talvez por causa do raio, já que a santa é sempre evocada para proteger um fiel de uma tempestade. O mesmo acontece com Oyá, que deve ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque tem sido Iansã uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome de sua amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e consequentemente das tempestades.

Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Iansã surge, quando incorporada a seus filhos, como autêntica guerreira, brandindo sua espada, ameaçando os outros, prometendo a guerra, sempre guerreira. Ao mesmo tempo é feliz. Ela sabe amar e gosta de mostrar o seu amor e a sua alegria contagiante da mesma forma que desmedida com que exterioriza a sua cólera.

Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos nagôs (ou iorubás, outro nome para a mesma cultura) é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Niger ou Oyá pelos africanos, isso porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água.

A figura de Iansã sempre guarda boa distância das demais personagens femininas centrais do panteão mitológico africano. Se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois esta presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de riscos e de aventura. Enfim, está sempre longe do lar. Iansã não gosta dos afazeres domésticos.

É extremamente sensual, apaixona-se com frequência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões, assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão.


Como são os filhos de Iansã?!



Iansã é uma mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo. Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto, competitivos, agressivos e dados a ataque de cólera. Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, que enfrentam a guerra do dia-a-dia, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas, sendo menos sistemáticos, portanto, que os filhos de Ogum.

O temperamento dos que tem Oyá como Orixá de cabeça costuma ser instável, exagerado, dramático em questões que, para outras pessoas não mereciam tanta atenção e, principalmente, tão grande dispêndio de energia.

São do tipo Iansã aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo e, o que é mais desconcertante, momento após extravasar uma irreprimível felicidade.

Os filhos de Iansã são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas só detidamente. A longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões. Eles têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. São ciumentos, possessivos, muitas vezes se mostrando incapazes de perdoar qualquer traição. Ao mesmo tempo, costumam ser amigos fiéis para os poucos escolhidos para seu círculo mais íntimo.

Um problema, porém, pode atrapalhar tudo: a inconstância com que vê sua vida amorosa; outros detalhes podem também contaminar os aspectos profissionais.

Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Iansã. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos se contrariados. Se têm a tendência para franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador.


Dia da Semana: Quarta-Feira

Saudação: Eparrei!

Sincretismo: Santa Bárbara

Data Comemorativa: 4 de Dezembro

Cores: Amarelo Escuro (Umbanda) Vermelho (Candomblé)

Habitat: Tempestades e Ventanias

Bebida: Champanhe


Muito axé, queridos irmãos!


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Oxóssi: O Rei das Matas



Quem é Oxóssi?!





Em grande parte do Brasil, Oxóssi é sincretizado por São Sebastião. Sua história informa que São Sebastião nasceu em Milão e foi oficial da guarda pretoriana em Roma. Foi cristão convicto e ativo, por este motivo, padeceu também sob o domínio do imperador Diocleciano. Denunciado como cristão, São Sebastião foi levado perante o imperador e confessou publicamente sua fé em Jesus Cristo. Acusado de traição, foi sentenciado a morte. Amarrado a um tronco, teve seu corpo varado por flechas. No dia seguinte constataram que não havia morrido. Levado novamente frente ao imperador, reafirmou sua fé, o que resultou em nova sentença: seria açoitado até a morte. Este fato, historicamente, ocorreu por volta do ano 284.

Na Umbanda, Oxóssi é conhecido como o senhor das matas e da grande parte dos Caboclos. Sua cor é o verde, representando as matas das quais é senhor absoluto. No Candomblé é conhecido como o "caçador" ou protetor dos caçadores. Na Umbanda também é conhecido assim, porém não é caçador de animais, mas sim de almas e de homens, sendo a catequese seu maior objetivo. No aspecto espiritual, Oxóssi é conhecido por aliar a força com o bom senso, essas características emanam de Oxóssi, que se manifesta nos trabalhos de Umbanda, principalmente na manifestação dos Caboclos e suas falanges. De Oxóssi emana a altivez que encoraja a todos os seguidores da Umbanda, transmitindo grande segurança nos cultos.

As matas são para os Umbandistas os domínios de Oxóssi. A função vibratória das matas é afirmar ou dar resistência a trabalhos ou consolidar trabalhos e obrigações.

Os enviados de Oxóssi ao nosso plano físico são normalmente os Caboclos, índios de diversas nações das nossas matas e guerreiros africanos. Esses enviados são os grandes conhecedores dos grandes segredos que fazem curas, afastam influências negativas e protegem os seguidos da Umbanda.

A altivez de um Caboclo, sua autoridade, sua seriedade, sua força, coragem, perseverança, o sentido de luta para vencer provém diretamente de Oxóssi, pois essas são algumas de suas características. Oxóssi, assim como Ogum, é um grande guerreiro. É um grande lutador, destemido, corajoso e sempre pronto para defender os seguidores da Umbanda ou aqueles que sob a sua guarda se colocam.

Nos trabalhos dirigidos unicamente por Caboclos nota-se a força e altivez que emana de Oxóssi. Quem evoca e sob sua proteção se coloca, jamais cai, fazendo valer o ditado umbandista: "Filho de Umbanda não cai!"


Como são os filhos de Oxóssi?!


Os filhos e filhas de Oxóssi são discretos, curiosos e introvertidos. Tem muita iniciativa, estão sempre em busca de novas descobertas e de novas atividades. São rápidos e alertas. Estão sempre em movimento, não param. Tem grande senso de observação, muita sensibilidade e criatividade. Entretanto, são distraídos, instáveis e não são perseverantes. São pessoas bem generosas, hospitaleiras, românticas, carinhosas e apaixonadas. Tem um gosto apurado e dotes artísticos. São amigos da ordem e da vida. São amáveis, dóceis, educados, serenos e calmos para conversar e dar conselhos.

Os filhos de Oxóssi preferem viver sozinhos. Não costumam demonstrar seus sentimentos, pois são cautelosos a respeito de amizades e são desconfiados, mas quando se tornam amigos, é para sempre. Porém, se a amizade é desfeita, também é para sempre. Possuem fama de faladores e são distraídos e prestativos. Ajudam a todos que os procuram e dividem tudo o que têm. Geralmente são altos e magros. Como bons caçadores, analisam a situação e atacam na hora certa, pois quase sempre possuem uma única chance.

Não conseguem guardar segredo e não sabem esperar, o que faz com que as pessoas mal intencionadas passem a perna neles com frequência. Devem confiar mais em si mesmos e menos nas boas intenções dos outros. Os filhos de Oxóssi não costumam ser um poço de saúde, mas também não ficam doentes gravemente ao longo de suas vidas. Tem tendências a sofrer com problemas na garganta, estômago, intestino, coluna, males nos olhos, boca além de dores musculares. Nunca devem abrir mão da espiritualidade, pois sem ela, adoecem com facilidade.

Os filhos de Oxóssi são pessoas de aparência calma, que podem manter a mesma expressão quando alegres ou aborrecidos. Do tipo que não externa sua emoções, mas não são de forma alguma pessoas insensíveis. Só preferem guardar os sentimentos para si. Selecionam muito bem suas amizades pois tem dificuldade de confiar nas pessoas. Apesar de não confiarem, são altamente confiáveis. São incapazes de trair até o próprio inimigo.

Caboclos da falange de Oxóssi:


  • Caboclo da Lua
  • Caboclo Arruda
  • Caboclo Aimoré
  • Caboclo Boiadeiro
  • Caboclo Ubá
  • Caboclo Caçador
  • Caboclo Arapuí
  • Caboclo Japiassu
  • Caboclo Junco Verde
  • Caboclo Javari
  • Caboclo da Mata Virgem
  • Caboclo Pena Branca
  • Caboclo Pena Dourada
  • Caboclo Pena Verde
  • Caboclo Pena Azul
  • Caboclo Rompe-Folha
  • Caboclo Rei da Mata
  • Caboclo Guarani
  • Caboclo Folha Verde
  • Caboclo Tupinambá
  • Caboclo Tupaíba
  • Caboclo Tupiara
  • Caboclo Tapuia
  • Caboclo Serra Azul
  • Caboclo Paraguassu
  • Caboclo Flecheiro
  • Caboclo Sete Flechas
  • Caboclo das Sete Encruzilhadas


Dia da Semana: Quinta-Feira

Saudação: Okê Arô, Oxóssi!

Sincretismo: São Sebastião (em grande parte do Brasil)

Data Comemorativa: 20 de Janeiro

Cores: Verde (Umbanda) e Azul (Candomblé)

Habitat: Nas Matas

Bebida: Vinho tinto, Água de Coco e Caldo de Cana.


Muito axé, queridos irmãos!




Iemanjá: Rainha das ondas, Sereia do mar;



Quem é Iemanjá?!






Yemanjá, Iyemanjá, Yemaya, Iemoja ou Yemoja.
Dandalunga (Angolas), Kaialas (Congos), Janaína, Inaê, Sobá, Oloxum, Princesa de Aiucá, 
Sereia Mukunã, Senhora da Calunga Grande, Rainha do Mar ou Senhora da Coroa Estrelada.

Seu nome deriva da expressão yorubá Yeye Omo Ejá, que significa "Mãe cujos filhos são peixes".

Ela é uma das figuras mais conhecidas nos cultos brasileiros, com o nome sempre bem divulgado pela imprensa, pois suas festas anuais sempre movimentam um grande número de iniciados e simpatizantes, tanto da Umbanda como do Candomblé.

Pelo sincretismo, porém, muita água rolou. Os jesuítas portugueses, tentando forçar uma aculturação dos africanos e a aceitação, por parte deles, dos rituais e mitos católicos, procuraram fazer o casamento entre santos cristãos e Orixás africanos, buscando pontos em comum nos mitos.

Para Iemanjá foi reservado o lugar de Nª Sª da Glória ou Nª Sª dos Navegantes (dependendo da região do Brasil), sendo, então, artificialmente mais importante que as outras divindades femininas, o que foi assimilado em arte por muitos ramos da Umbanda.

É uma das rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas provocadas pelo choro da mães que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes e o mar, sua morada, local onde costuma receber seus presentes e oferendas dos devotos.

Ela irradia o tempo todo seu fator gerador e criacionista que estimula a geração e a criatividade das pessoas, trazendo oportunidades de crescimento em todo os sentidos da vida, pois ira estimular a geração de vidas, geração de idéias, geração de amor, etc...

Nas linhas de trabalho da Umbanda, Iemanjá é a sustentadora do povo d'agua, como marinheiros e sereias. Sua força também está presente em todas as entidades que possuem o nome "Maria", como Maria Padilha, Maria Mulambo, Maria do Cais, Maria do Congo, etc...

Entre as entidades mais conhecidas dessa vibração estão Jurema da Praia, Iara, Ondina, Jandira, Jacira, Caboclo da Lua, Beira-Mar, Ubirajara, Exu do Mar, Exu Sete Ondas, Pombogira da Praia, entre outros.


Como são os filhos de Iemanjá?!


As filhas e filhos de Iemanjá possuem como característica básica a força e a determinação, assim como o sentido da amizade e do companheirismo, são pessoas presas no arquétipo da mãe, a família e os filhos. São doces, carinhosas, tradicionais, pouco rígidas, sentimentalmente envolventes e com grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Não gostam de mudanças e apreciam a rotina do cotidiano, são muito protetoras, possuem o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas, mas formais. Põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem.

As filhas e filhos de Iemanjá não podem ficar expostos à poeira, pois tendem a desenvolver problemas respiratórios.

Mas nem tudo são qualidades em Iemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho a ter tendência de tentar consertar a vida dos que o cercam, se achando responsáveis pelo destino de todos, se tornando controladores, voluntariosos, capazes de fazer chantagens emocionais e, algumas vezes, impetuosos e arrogantes. Os filhos de Iemanjá demoram muito para confiar em alguém, bons conhecedores que são da natureza humana. Quando finalmente passam a aceitar uma pessoa no ser verdadeiro e íntimo círculo de amigos, porém, deixam de ter restrições, aceitando-a completamente e defendendo-a, seja nos erros como nos acertos, tendo grande capacidade de perdoar as pequenas falhas humanas. Um filho de Iemanjá pode tornar-se controlador e rancoroso, remoendo questões antigas por anos e anos sem esquecê-las jamais. 


Dia da Semana: Sábado

Saudação: Odó Iyá! Odôcyabá!

Sincretismo: Nª Sª da Glória ou Nª Sª dos Navegantes

Data Comemorativa: Depende do Estado, pode ser 2 de Fevereiro, 15 de Agosto ou 8 de Dezembro

Cores: Branco Cristalino, Prata ou Azul Claro

Habitat: O Mar

Bebida: Champanhe


Muito axé, queridos irmãos!



domingo, 8 de setembro de 2013

Oxum: A Deusa do Amor



Quem é Oxum?!







Dentro dos estudos da Umbanda Sagrada temos um dos principais fatiadores da Criação Divina que é o AMOR. O amor concebido, amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo. Oxum é o trono natural irradiador do Amor Divino e da Concepção da Vida em todos os sentidos. Como "Mãe da Concepção", ela estimula a união matrimonial, e como Trono Mineral, ela favorece a conquista de riqueza espiritual e abundância material.

A Orixá Oxum é o Trono regente do pólo magnético irradiante da linha do Amor, atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e união.

Seu elemento é o mineral, junto com Oxumaré, forma uma linha vertical cujas vibrações, magnetismo e irradiações planetárias atuam sobre os seres estimulando os sentidos de amor e acelerando a união e a concepção dos seres.

Na Coroa Divina, a Orixá Oxum e o Orixá Oxumarê surgem a partir da projeção do Trono do Amor, que é o regente do sentido do amor. Oxum forma com Oxumarê a segunda linha da Umbanda, que é a linha do amor.

A água é o melhor condutor das energias minerais e cristalinas, sendo que a água doce dos rios é a melhor rede de distribuição de energia mineral, e o mar é o melhor irradiador de energias cristalinas. Saibam que a energia irradiada pelo rio é mineral. É justamente neste ponto que surgem confusões em relação ao Orixá Oxum e a Orixá Iemanjá. A água doce por estar carregada de energia mineral, é um dos principais alimentos dos vegetais. Logo, Oxum está tão presente nas matas de Oxóssi quanto na terra de Obá, que são os dois Orixás que pontificam a linha do conhecimento. 

Simbolicamente representamos Oxum com um coração, pois o amor acelera o batimento cardíaco e sua perda cria a sensação de um vazio no peito.


Como são os filhos de Oxum?!


Os filhos de Oxum amam espelhos  (a figura de Oxum carrega um espelho, chamado de Abebé), jóias caras, oro, são impecáveis no trajar e não se exibem publicamente sem primeiro cuidar da vestimenta. A mulher de Oxum cuida muito do cabelo e da pintura. Normalmente tem facilidade muito grande para o choro, são muito emotivos.

Talvez ninguém tenha sido tão feliz para definir os filhos de Oxum como um pesquisador das religiões africanas, um francês chamado Pierre Verger: "o arquétipo de Oxum é das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e boas vestimentas. Das mulheres que são símbolo do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que as de Iansã. Elas evitam chocar a opinião pública, à qual dão muita importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora, escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. Seu maior defeito é o ciúme."

Toda descrição acima é muito interessante por representar a realidade dos filhos de Oxum. Mas isso fica por conta de filhos que entendem como riqueza o Ouro. Já para o Orixá Oxum, o ouro não significa pelo valor no pregão comercial, mas sim na sua pureza. Ser puro como o ouro seria uma verdadeira representação de como Oxum quer que seus filhos sejam.


Dia da Semana : Sábado

Saudação : Ora ie ie ô!

Sincretismo : Nª Sª da Conceição ou Nª Sª da Aparecida

Data Comemorativa : 12 de Outubro

Cores : Azul escuro (Umbanda) Amarelo (Candomblé)

Habitat : Rios, Cascatas e Cachoeiras

Bebida : Champanhe


Muito axé, queridos irmãos!





sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Xangô: O Senhor da Justiça



Quem é Xangô?!






Sincretizado a São Jerônimo, Xangô é o Orixá da sabedoria e da justiça. Sua cor é o marrom (na Umbanda).

São Jerônimo nasceu na cidade de Estrido, Dalmacia, nas atuais fronteiras antiga Iuguslávia por volta do ano 340. Ele foi um dos grandes escritores de seu tempo. Tornou-se monge e partiu para o Oriente, fixou-se na Síria, entregando-se a uma vida de penitências e orações. Regressando a Roma, foi feito secretário do papa São Damaso que lhe deu a missão de traduzir as Sagradas Escrituras para o latim, obra que ficou conhecida como Vulgata, dando origem a Bíblia atual.

Xangô é o responsável pela solução das pendências e das injustiças, dando a quem merece o devido castigo e, a vitória ao injustiçado. Xangô simboliza a lei de causa e efeito, seu fetiche é a machada de dois gumes ou a balança de dois pratos, simbolizando a justiça e a imparcialidade. Recorrem a Xangô todos os injustiçados, perseguidos espiritualmente e materialmente.

De Xangô emanam a autoridade, a justiça e o saber. Ele jamais erra e não permite o erro de seus filhos. É o protetor dos bons juízes, dos bons advogados e de todos aqueles que tenham contato com as práticas das leis.

Nas demandas espirituais após Ogum ou os outros Orixás envolvidos nessas demandas terem feito o seu trabalho, Xangô virá obrigatoriamente cumprir a lei de Deus de causa e efeito.

A vibração de Xangô, nas evocações que ocorrem nos templos de Umbanda é fortíssima. Quando incorporado nos médiuns, transmite sempre a imagem de alguém forte como uma rocha, todos pressentem a sua tremenda força.

Em muitos pontos cantados de Xangô, ouve-se a frase: "Não brinque com Xangô, porque Xangô não brinca não!"

Essa frase transmite claramente sua autoridade e intolerância com os erros dos homens. Xangô está sempre associado à força, Ele é autoritário, capaz de despertar o respeito por suas determinações e leis, com poder para decidir sobre o bem e o mal.

As suas determinações serão sempre obedecidas por todos, gostem ou não. Por estar associado à firmeza da rocha e à estabilidade que as pedreiras transmitem, que são os seus domínios, delas emana a sua força.

Em suas obrigações podem ser usadas flores brancas, velas de cor marrom e brancas, cerveja preta e água da cachoeira. Nesse sentido, é comum ver as obrigações que lhe são feitas nas pedreiras e cachoeiras, sendo que em muitos casos depositam lá uma verdadeira parafernália de objetos e comidas como o quiabo com feijão fradinho e outras coisas mais, como vinho e licores diversos.

Não há necessidade de pedir a Xangô a justiça, Ele a fará sempre mesmo que você não peça ajuda a Ele. Na realidade evite pedir justiça, se você pedir a justiça, tenha certeza que Ele atenderá o seu pedido, mas como qualquer ser humano você tem em seu passado alguma coisa da qual se envergonha e Xangô também vai ver os seus erros e lhe dará também, ao mesmo tempo, o seu pagamento por suas obras. Você se sente injustiçado? Então aguarde, Xangô fará a justiça por você, sem que exista a necessidade de pedir coisa alguma a Ele; mas se pedir, prepare-se, você também receberá o seu pagamento.

Se o assunto é ligado a lei e aos seus processos e você possui a verdade ao seu lado, pode recorrer a Ele com toda a garantia de vitória, mas só proceda desta forma se tiver a verdade ao seu lado, porque se você é o errado na questão, tenha certeza que Ele vai puni-lo.

A justiça de Xangô é baseada em leis divinas, leis que tem origem divina e não podem ser manipulado pelo homem. Seja sábio!

Como são os filhos de Xangô?!


Os homens são entusiasmados e idealistas, tem capacidade de reunir uma multidão em seu redor, seu otimismo cativa as pessoas e as estimula. Cedo se tornará independente de sua familia. Trabalhando muito com honestidade conquistará tudo o que merece amparado pela sorte com que seu Orixá lhe abençoa.

Quando as coisas não saem como ele deseja, não se deixa prender pelo desânimo, mesmo tendo que alterar seus planos iniciais, não deixa de acreditar que tudo vai mudar para melhor e quase sempre muda mesmo!

Sua franqueza lhe traz inimizades ou provoca situações embaraçosas, mas ele nunca fala para ferir. Ser franco em excesso é um defeito que deve ser considerado por ele.

Gostam das florestas, dos rios, das montanhas e dos desertos. As pedras são o elemento do qual ele pode se servir para recuperar as forças.

As extravagâncias deste filho estão ligadas ao seu prazer em usufruir das coisas boas que a vida lhe oferece. Convém a ele equilibrar suas despesas com poupança, pois é comum o filho de Xangô ser obrigado a viver uma velhice muito mais modesta do que sua vida na juventude. Manterá quando maduro e na velhice uma aura de juventude, pois conservará seu otimismo através dos anos.

As mulheres são excelentes companheiras, com forte tino comercial. Amante da natureza e da vida ao ar livre, atende sua casa com competência e é uma fonte renovadora com seu eterno positivismo.

Ao contrário dos homens de Xangô, as mulheres regidas por esse Orixá são muito fiéis no amor. Tem paixões honestas e rápidas, mas quando se decide por um companheiro será de uma lealdade a toda prova. Seu companheiro deverá compartilhar com ela sua alegria de viver, a vida ao lado dela é bastante movimentada, com atividades sociais e esportivas bastante intensas.

É sincera, mas nem sempre sua observações são cautelosas, fala sem pensar e isto pode lhe criar situações embaraçosas já que alguém poderá se sentir ofendido com comentários impensados, porém nunca intencionais.

Com o tempo e a maturidade aprenderá a ser mais diplomática e a medir mais suas palavras.

De personalidade forte e independente a mulher filha de Xangô, não gosta de ser mandada, às vezes precisa de um pulso firme para ser controlada.

De temperamento sincero e ingênuo pode ser vitima de desilusões desde cedo, o que forjará uma atitude de desconfiança em relação aos homens. Detesta serviço doméstico, mas será boa dona de casa, pois odeia mais desorganização e sujeira, um ambiente limpo e bonito a faz se sentir muito bem.

Com os filhos é mais companheira que educadora, dela eles recebem estímulos, aprenderão a ser francos, otimistas e honestos, mas sua disciplina deixará a desejar.

Dia da Semana: Quarta-Feira

Saudação: Kaô Cabecile!

Sincretismo: São Jerônimo

Data comemorativa: 30 de Setembro

Cores: Marrom (na Umbanda), Vermelho e Branco (Candomblé)

Habitat: Nas montanhas e nas pedreiras

Bebida: Cerveja Preta

Quízila: Morte e Mortos (eguns)


Muito axé, queridos irmãos!



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ogum: O soldado de Aruanda



Quem é Ogum?!






Ogum é um dos Orixás mais cultuados dentro do panteão Umbandista. O soldado de Aruanda, Ogum é o general de guerra, o vencedor de demandas. O patrono do ferro, dos metais em geral. Sua cor geralmente o vermelho e branco mas pode variar de acordo com o culto e a casa. Suas festividades ocorrem no dia 23 de Abril, por seu sincretismo quase que absoluto com São Jorge. Esse sincretismo pode também variar dependendo da casa e da liturgia praticada ali. 

Sabe-se que Ogum é o patrono do Ferro, dos metalúrgicos, da tecnologia, dos soldados e da lei. Também é o Senhor das Estradas, portanto, a área de atuação de sua vibração é bastante vasta. Sua vibração nos impulsiona à luta, às guerras, é a nossa coragem, o nosso ânimo para vencer as constantes guerras que travamos em nosso cotidiano. Ele nos move, é a direção para o campo de batalha, é a força que nos dá a esperança e nos anima a continuar lutando. É uma vibração muito evocada, juntamente com Exú para vencer demandas, desfazer malefícios causados por espíritos de baixo grau evolutivo.

Na Umbanda todos o
s filhos de Ogum possuem um caboclo de sua falange. A falange de Ogum é muito vasta, tenho nela muitas qualidades deste Orixá. O sincretismo de Ogum com São Jorge não se estende a todas as regiões do país, tendo também em São Miguel Arcanjo uma representação. 

Existem muitas qualidades para o Orixá Ogum, sendo umas mais conhecidas que as outras, abaixo segue uma relação das qualidades mais comuns dentre os filhos de santo nos terreiros de Umbanda.

  • Ogum Beira-Mar           (ligado a Iemanjá)
  • Ogum Iara                     (ligado a Oxum)
  • Ogum Rompe Mato     (ligado a Oxóssi)
  • Ogum de Lei (Delê)      (ligado a Xangô)
  • Ogum de Ronda           (ligado as Almas, como Ogum Megê)
  • Ogum Megê                  (ligado as Almas, como Ogum de Ronda)

Também existem algumas qualidades não tão comuns nos terreiros, porém muito importantes para o desenvolvimento dos filhos de santo.

  • Ogum Matinata
  • Ogum Malê
  • Ogum Sete Espadas
  • Ogum Sete Ondas
  • Ogum das Pedreiras
  • Ogum Caiçara
  • Ogum do Oriente
  • Ogum das Matas
  • Ogum Sete Lanças
  • Ogum Sete Mares
  • Ogum de Ouro
  • Ogum da Lua
  • Ogum Menino
  • Ogum dos Rios
  • Ogum Xoroquê

Uma grande dúvida de muitos filhos de santo é entender como é possível vários médiuns incorporarem o mesmo Orixá. Primeiramente é necessário entender que quando é falado sobre os Oguns que baixam nos terreiros rodando suas espadas no ar, não são o próprio Orixá Ogum, pois o Orixá não baixa na Umbanda, muito menos são Caboclos de Ogum. Estes são índios que fazem cruzamento com o Orixá. O povo de Ogum que baixa nos terreiros são espíritos de homens que foram ligados ao militarismo de alguma forma. Estes espíritos, por afinidades astrológicas e energéticas, de alguma forma, foram incumbidos de trabalhar nessa linha de guerreiros.


Como são os filhos de Ogum?!


Os homens de Ogum são confiantes, entusiasmados, generosos, solidários, energéticos, ousados e ativos em seu lado positivo. Mas também podem ser intolerantes, violentos, impulsivos, obstinados, egoístas e exigentes em seu lado negativo.

As mulheres de Ogum são sinceras, encantadoras, vigorosas, corajosas, entusiasmadas e românticas, qualidades que excedem seu lado negativo, já que elas também podem ser autoritárias, irritadas e impulsivas.


Suas cores: Vermelho e Branco

Seu habitat: Nas estradas

Data comemorativa: 23 de Abril

Dia da Semana: Terça-Feira

Cores da Guia: Vermelhas

Saudação: Ogunhê!


Muito axé, queridos irmãos!




Oxalá: O Orixá Maior


Quem é Oxalá?!





Oxalá é o maior Orixá da Umbanda, estando abaixo apenas de Olorum, Deus supremo e criador do Universo. Representado por uma estrela de cinco pontas, é sincretizado por Jesus Cristo e representa a paz e a fé. Na Umbanda, sua tarefa foi a da criação do ser humano. Ele envia vibrações que estimulam a fé individual, assim como irradiações que geram sentimentos de religiosidade. É aquele que determina o fim da vida de cada ser, o mesmo de se sentir em paz. Representa o amor, a bondade, a pureza espiritual e tudo aquilo que indica positividade.

Como são os filhos de Oxalá?!


Os filhos de Oxalá são pessoas normalmente tranquilas, de andar sereno, são pacientes e amáveis, apesar de serem teimosos e passiveis de se envolverem em dificuldades financeiras e familiares, o que pode ser evitado se ficarem atentos a esses problemas e lutarem contra eles. Através de seu gênio calmo, atinge seus objetivos de forma natural. 

Seu maior defeito é a teimosia. Não se preocupa em impôr suas idéias, mas não cede em seu ponto de vista. Mesmo que não concorde, evita discussão. A sua principal característica é a impecável organização no dia a dia. Não é agressivo e quando é agredido, prefere demonstrar superioridade.

Tem uma tendência muito forte para a solidão. No isolamento busca o encontro com a harmonia universal.

Oxalá é o único Orixá que não atua diretamente em elementos do planeta, fazendo isso por intermédio dos demais Orixás.

Suas cores: Branco e Cristalino

Seu habitat: Praia deserta e Colina

Data Comemorativa: 25 de Dezembro

Dia da semana: Sexta-Feira

Cores da Guia: Contas brancas, leitosas ou de cristal

Saudação: Êpa, Êpa, Babá!


Muito axé, queridos irmãos!

O nascimento de uma nova religião... Umbanda


Quem foi Zélio Fernandino de Moraes?!





"Escrever sobre a Umbanda sem citarmos Zélio Fernandino de Moraes é praticamente impossível. Ele, assim como Allan Kardec, foram os intermediários escolhidos pelos espíritos para divulgar a religião aos homens.

Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de Abril de 1891, no distrito de Neves, município de São Gonçalo/RJ. Aos dezessete anos, quando estava se preparando para servir as Forças Armadas através da Marinha, aconteceu um fato bastante curioso: Ele começou a falar em tom manso e com um sotaque bem diferente de sua região, parecendo um senhor com bastante idade. À princípio, a família achou que houvesse algum distúrbio mental e o encaminhou ao seu tio, Dr. Epaminondas de Moraes, médico psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após alguns dias de observação e não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica, Dr. Epaminondas sugeriu à família que o encaminhassem a um padre para que fosse feito um exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estivesse possuído pelo demônio. Procuraram, então também um padre da família que após fazer o ritual de exorcismo, não conseguiu nenhum resultado.

Tempos depois, Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, para qual os médicos não conseguiram encontrar a cura. Passado algum tempo, num ato surpreendente, Zélio ergue-se do seu leito e declarou: "Amanhã estarei curado".

No dia seguinte, conforme dito, começou a andar como se absolutamente nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar como se deu a sua recuperação. Sua mãe, Dª Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira chamada Dª Cândida (figura conhecida na região e que incorporava um preto velho chamado Tio Antônio). O preto velho recebeu Zélio e fazendo suas preces, lhe disse que ele possuía o fenômeno da mediunidade e que deveria trabalhar com a caridade.

O pai de Zélio, Sr. Joaquim Fernandino Costa, apesar de não frequentar nenhum centro espírita, já era um adepto do espiritismo, praticante do hábito da leitura da literatura espírita. No dia 15 de Novembro de 1908, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Chegando lá e convidados por José de Souza, dirigente daquela Instituição, sentaram-se a mesa. Logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim e apanhou uma rosa branca, colocando-a no centro da mesa onde os trabalhos eram realizados. Tendo-se iniciado uma estranha confusão no local, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertido pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada em Zélio respondeu:

"- Porque repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Seria por causa de suas origens sociais e da cor?!"

Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava em Zélio, perguntou:

"- Porque o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados?! Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome, meu irmão?!"

O espírito, então, responde:

"- Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim!"

O vidente, então, torna a perguntar:

"- Julga o irmão que alguém irá assistir este seu culto?!"

Novamente o Caboclo responde:

"- Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei."

Depois de algum tempo, todos ficaram sabendo que o jesuíta que o médium verificou pelos resquícios de sua veste no espírito, em sua última encarnação foi Padre Gabriel Malagrida.

No dia 16 de Novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, nº 30, em Neves - São Gonçalo/RJ, aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita, parentes, amigos e vizinhos de Zélio. Do lado de fora, uma multidão de desconhecidos. Pontualmente as 20:00 horas, o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras, iniciou o culto:

"- Aqui inicia-se um novo culto, em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram e não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A pratica da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo."

Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20:00 horas às 22:00 horas, determinou que os participantes deveriam estar trajados de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Não seria permitido o sacrifício de animais ou o uso de sangue. Primeiramente não foram utilizados atabaques ou qualquer outro objeto ou adereço. O uso do atabaque veio com o passar do tempo.

Então, assim disse, Caboclo das Sete Encruzilhadas, que naquele momento estava nascendo uma nova religião e que está se chamaria Umbanda. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades que se manifestavam e a preparação dos médiuns  era feita através de banhos de ervas e do ritual do amanci, isto é, a lavagem da cabeça onde os filhos da Umbanda afinizam a ligação com a vibração de seus guias.

Fonte retirada do site: http://www.clickriomafra.com.br/umbanda/15-de-novembro-de-1908-nasce-a-umbanda

Este é apenas um resumo que conta como foram iniciadas as atividades da nossa amada Umbanda, tendo a sua fundação no dia 15 de Novembro de 1908 através do Caboclo das Sete Encruzilhadas e por intermédio do jovem médium Zélio Fernandino de Moraes. Hoje em dia, com apenas 105 anos de existência, a Umbanda se firma cada vez mais na fé dos brasileiros, vencendo as barreiras do preconceito e da intolerância com muito amor e muito axé!

SALVE A UMBANDA! 

Muito axé a todos vocês!

O início...

Boa tarde, irmãos de fé!


É com muita alegria que lhes escrevo este primeiro post desse blog. Minha intenção ao fazer este blog é a de, única e exclusivamente, compartilhar conhecimentos, experiências e tratar sobre os mais variados assuntos como espiritualidade, Umbanda e outras religiões. E não vejo melhor forma de iniciar as atividades deste blog do que postando o hino de nossa amada religião. Muito axé à todos vocês e vamos juntos, postagem por postagem, conhecendo os mistérios da nossa querida Umbanda.

O Hino da Umbanda


Refletiu a luz divina;
Com todo o seu esplendor;
Vem do Reino de Oxalá;
Aonde há paz e amor.

Luz que refletiu na Terra;
Luz que refletiu no Mar;
Luz que veio de Aruanda;
Para tudo iluminar.

A Umbanda é paz e amor;
É um mundo cheio de luz;
É a força que nos dá vida;
E a grandeza nos conduz.

Avante, filhos de fé;
Como a nossa lei não há;
Levamos ao mundo inteiro;
A bandeira de Oxalá!

Levamos ao mundo inteiro;
A bandeira de Oxalá!


E é nesta vibração que iniciamos uma viagem através das Sete Linhas da Umbanda. Com a benção de Pai Oxalá e a proteção dos santos Orixás. Muito axé!